segunda-feira, 29 de maio de 2023

 

sentado na areia
recebo no rosto o carpir das ondas
entrelaçadas

olho o horizonte
e anoiteço quando o sol nasce…

gosto das alvoradas.

há um pequeno frio
a salpicar-me a alma…






quarta-feira, 29 de março de 2023



a noite traz vazios.

olhares que se perdem no abstrato
e sequências de retalhos fotográficos…

ensaio palavras
que carimbam a solidão.

aguardo-te.

a porta continua aberta.
na soleira há música para dançar os braços.
é bom que chegues…

o coração conhece bem o que fica




segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

deixas-me no silêncio.

escrevo-te um poema,
[e um poema é um meio segredo]
ideia persistente
pendurada entre a coragem e o receio.

agarro o sol,
que se pôs do lado esquerdo de mim,
e ilumino a promiscuidade dos versos
[a luz no sítio certo].

olho-te.
a tua nudez caminha na ladeira fria,
em redor tudo é silêncio…

o teu sorriso!!!



 

terça-feira, 18 de outubro de 2022



de rosto amordaçado,
grito para o horizonte a poesia prostrada

tantas palavras…

há escuridão nos olhos vendados
e um beijo arredio
atravessa os lábios…

inspiro a neblina
e espero o sol a pôr-se no amanhã.




quarta-feira, 5 de outubro de 2022



há um caminho
feito de palavras grandes
e secretas.

um caminho
que é chão de versos simples
e sentires complexos

bebo o querer-te
como se ele fosse a fonte da vida…

depois sento-me na borda do poema
e espero que o teu olhar
veja os teus lábios a sorrir-me.



domingo, 25 de setembro de 2022

 

espreito a noite.

desenho riscos nas ruas da cidade
procurando afastar a dor que escondo
no olhar que vagueia pela neblina…

de mãos nuas
procuro a manhã,
a pele,
o teu corpo,
o sentimento…

e no silêncio que é este respirar-te
sopro-te a palavra
que mostra o amor sem freio
e o amanhã um outro dia.




terça-feira, 13 de setembro de 2022

 

a noite atravessa o medo.

escuto o som da chuva
na cama
como se a noite fosse prioridade absoluta…

olho os poemas em redor
e devagar adormeço
perdido nos caminhos da solidão…