poucas palavras me restam quando os pássaros são somente imagens. olho as sombras perdidas na quietude do frio e nas frases soltas que se repetem escrevo diálogos que escondem o sono no silêncio dos meus medos
desperto no sonho e escrevo o poema solitário feito no fio da navalha e no sabor do cianeto...
desço a arriba e o mar traz-me a maresia das cores
troco caríciasna aguarela vivacom que pinto cada tela…
com as mãos em labirintoperfeitodesenho pássaros voando na noite que fecho no sótão.
ao longe,e num quase repente há um beijoque caminha de mãos dadascom o olhar …
lambo as feridas, as dores, as cinzas...
procuro as palavras, a pele, o rosto, as mãos ansiosas contra o corpo...
a mágoa existe e navega nos mares do silêncio