sábado, 26 de fevereiro de 2022

quero o mar
onde flutua a cidade em que vivemos
debruçados na poesia…
o mar onde a espuma desliza
na ponta dos dedos
e o sol se esconde
na noite.

o mar que reflete
o teu olhar
e dita palavras em sussurro
hoje,
amanhã
ou sempre que o quisermos








domingo, 20 de fevereiro de 2022

 



navego na imensidão da noite…
arranco palavras ao significado,
a voz cai sobre o papel
é preciso sair deste poema…

encerrado em mim mesmo
espero a chuva que não chega.

fujo sem descanso nem destino
mas a tua mão procura-me no crepúsculo



sábado, 19 de fevereiro de 2022

 


cai a noite inquieta.
é o silêncio…

e a minha mão escreve
a natureza
a ilusão
a idade dos livros…

há palavras de amantes
perdidas onde se deita o mar.




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022



apagam-se as luzes…

há somente sussurros
e a minha mão
desce-te...
copia-te
o corpo esquivo.

diluo-me em ti
num abraço
de um só leito
e desejo…
 
lá fora
a noite apascenta o vento…



domingo, 13 de fevereiro de 2022

 



fico em silêncio
e olho as papoilas,
o trigo,
o teu corpo…

tens sabor a planície feita seara
onde se acolhe o vento



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

 


lá onde entardeces
há sombras perdidas,
palavras ausentes,
passos distantes…

tu adivinhas-me.
eu penso-te.
e o partilhar dos corpos…

os meus olhos espreitam o teu regresso.

há tanto por acontecer…




terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

 



olho o horizonte…
e espero o teu corpo
misterioso
onde nascem flores
no ventre da esperança.

e a cidade?
e o mar?
e o sentido das palavras?

há amor nos meus dedos
perdidos na tua nudez.