de rosto amordaçado, grito para o horizonte a poesia prostrada
tantas palavras…
há escuridão nos olhos vendados e um beijo arredio atravessa os lábios…
inspiro a neblina e espero o sol a pôr-se no amanhã.
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
há um caminho feito de palavras grandes e secretas.
um caminho que é chão de versos simples e sentires complexos
bebo o querer-te como se ele fosse a fonte da vida…
depois sento-me na borda do poema e espero que o teu olhar veja os teus lábios a sorrir-me.
domingo, 25 de setembro de 2022
espreito a noite.
desenho riscos nas ruas da cidade
procurando afastar a dor que escondo
no olhar que vagueia pela neblina…
de mãos nuas
procuro a manhã,
a pele,
o teu corpo,
o sentimento…
e no silêncio que é este respirar-te
sopro-te a palavra
que mostra o amor sem freio
e o amanhã um outro dia.
terça-feira, 13 de setembro de 2022
a noite atravessa o medo.
escuto o som da chuva
na cama
como se a noite fosse prioridade absoluta…
olho os poemas em redor
e devagar adormeço
perdido nos caminhos da solidão…
domingo, 4 de setembro de 2022
o meu choro perde-se na dor dos olhares esquecidos e nos abraços sem contacto dados nas madrugadas escuras.
olho a noite.
percorro os caminhos
na procura do teu nome
e das palavras perdidas…
escrevo silêncios.
de mãos vazias recolho a minha ausência
e escondo medos
como se o amanhã fosse um outro dia.
quinta-feira, 25 de agosto de 2022
hoje penso nos poemas escondidos nas madrugadas... palavras que se perdem no silêncio imenso que guarda os amantes de mão dada
escrevo o teu retrato nos dias que passam ausentes.
terça-feira, 16 de agosto de 2022
depois de alguma ausência, o regresso
as manhãs não começam sozinhas, há brumas suaves que correm na aurora.
a noite despe-se em noites de uma só noite…
no reino do amanhã calo-me… regresso ao teu olhar, escrevo a tua voz e o corpo unge um papel velho bordado a folhas húmidas arrancadas pelo vento cínico.
cai a hora e eu desenho palavras para preencher a folha