sexta-feira, 6 de maio de 2022

 

abraço o teu rosto
e os dois somos um
invadindo o silêncio transparente das paisagens…

recebo o teu corpo em beijos.

bebo a nudez de ti
e prendo-te à inquietude do meu peito




melodia


timbre de voz que a mão aperta de encontro ao tempo em que os desencontros aconteciam a horas certas.

corridas desenfreadas até ao mar, onde se saltavam ondas como se mergulhássemos em estilos olímpicos de pranchas ou escarpas silenciosas
com que escuto, ainda hoje
a tua voz de coral




Foto

Hendrik Krönert


quinta-feira, 5 de maio de 2022

 

somo a ausência dos dias.
a manhã é feita de silêncio,
à tarde as sílabas colam-se à pele
e o teu beijo vive na minha boca.

persigo o por-do-sol…

e a tua mão desce pelo meu corpo.




quarta-feira, 4 de maio de 2022

 

desce a madrugada…

há luz nas esquinas,
e urgência no poema
escrito nas giestas.

espero por ti na soleira
vou contar-te histórias com o olhar




Dreaming of You




olhos rasos de mar. ensombra-se o olhar de corais esbranquiçados pela dor. melodias que o tempo faz perdurar. como pérolas em colares que ornamentam peitos vazios. de fé.




Foto: Duy-Huynh

terça-feira, 3 de maio de 2022

 

olho a lua e esqueço-me de mim.

as tuas mãos esperam-me
repletas de palavras em sentido
e o meu corpo esconde-se no vento…




segunda-feira, 2 de maio de 2022

Onze do sete




Os dias derivados de apelos nus. O tempo não existe, nesta miragem de bocejos acautelados pela palma da mão. Engulo o orgulho, o medo e o sémen agridoce. São lágrimas, afinal. O corpo sem responder ao desafio. Antes fosse tentação. Ou desvario. Antes fosse...

E a minha boca fechada pela tua, num gesto de não sei.