segunda-feira, 4 de abril de 2022

Quando me vestia de ti


Foto: Mario Testino


Todos os dias rasgo manhãs no meu corpo.
Os lábios murmurando poemas. Os braços cruzados pela espera.
As pernas inquietas pelas memórias que são recordações.
Todos os dias rasgo manhãs no meu corpo.

A tentar esquecer a música do teu coração de encontro ao meu.

domingo, 3 de abril de 2022

 


o meu grito nu
arde no frio orvalhado da manhã
e conta o tempo que falta para a noite…

guardo os sítios do silêncio,
solto-me do medo e
aponto o caminho ao infinito…

lá longe há a luz da lua
aqui somente a tua ausência.




quarta-feira, 30 de março de 2022

 



tomei os teus olhos nos meus…

toquei-te
caminhando suavemente
no orvalho suado do corpo

o oceano está ali.
puxo o teu corpo
e deito-o na cama

amanhã
teremos outros sítios,
outros olhares
outros toques…

apago a luz e
espero a tua mão me chegar



terça-feira, 29 de março de 2022



o meu corpo é turbado de passos…

depois da chuva
devo viver
devagar
esperando que
as coisas frágeis se adentrem…

acendo a luz.

o silêncio veste a casa.
há cadeiras imóveis
e passos que dançam
ao som das palavras que dizes baixinho

cá fora há gritos encurralados
e pássaros de pedra que fazem o ninho nas calçadas





segunda-feira, 28 de março de 2022

 

aproxima-te,
tenho versos que escrevi no vento
e que quero colar na tua pele…

aproxima-te,
deixa-me recolher
a gota de arrepio que cai do teu corpo…

onde está o madrugar das tuas mãos em mim?



quinta-feira, 24 de março de 2022

 

sinto o aconchego
da tua pele
feita corpo…

e neste contrabandear de desejos
abro a porta da noite
e penduro o silêncio
nas ombreiras pálidas
que escoram a cidade.

 o teu nome ondula
dentro da minha memória.




quarta-feira, 23 de março de 2022

 


na palma da mão
um sonho,
tu
e a fragilidade da espera…

o silêncio dança pelos cantos
em passos dispersos
e a minha boca
faz o contorno do teu nome.