domingo, 6 de março de 2022

 

seguro o teu rosto…

olho-te
os teus lábios respiram os meus lábios
e as tuas mãos atrevem-se…

os nossos corpos escutam-se
e perdem-se
na pele,
na carne ardente
no grito rouco
sufocante
prisioneiro…

espraia-se a desordem
dentro de mim,
de ti…
e o ventre
e as coxas
e os seios
e o leito…

mas tenho a tua nudez
gravada na moldura dos dias


depois de ler
"If there's any answer, maybe love can end the madness
Maybe not, oh, but we can only try.“ — Carole King






terça-feira, 1 de março de 2022


há vezes em que sinto a tua ausência
mesmo estando tu presente…

nem todos os caminhos falam de ti
mas eu espero-te
a cada amanhecer




sábado, 26 de fevereiro de 2022

quero o mar
onde flutua a cidade em que vivemos
debruçados na poesia…
o mar onde a espuma desliza
na ponta dos dedos
e o sol se esconde
na noite.

o mar que reflete
o teu olhar
e dita palavras em sussurro
hoje,
amanhã
ou sempre que o quisermos








domingo, 20 de fevereiro de 2022

 



navego na imensidão da noite…
arranco palavras ao significado,
a voz cai sobre o papel
é preciso sair deste poema…

encerrado em mim mesmo
espero a chuva que não chega.

fujo sem descanso nem destino
mas a tua mão procura-me no crepúsculo



sábado, 19 de fevereiro de 2022

 


cai a noite inquieta.
é o silêncio…

e a minha mão escreve
a natureza
a ilusão
a idade dos livros…

há palavras de amantes
perdidas onde se deita o mar.




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022



apagam-se as luzes…

há somente sussurros
e a minha mão
desce-te...
copia-te
o corpo esquivo.

diluo-me em ti
num abraço
de um só leito
e desejo…
 
lá fora
a noite apascenta o vento…



domingo, 13 de fevereiro de 2022

 



fico em silêncio
e olho as papoilas,
o trigo,
o teu corpo…

tens sabor a planície feita seara
onde se acolhe o vento