domingo, 4 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Grito






a dor dilacera-nos, sem dó nem piedade, quando vestimos do avesso, palavras que a boca não grita








Foto: Kiyo Murakami

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

cruzo os braços sobre mim
sinto o peito aconchegado,
as mãos tocam o pescoço,
as minhas mãos,
o meu pescoço...

abraço-me,
não gosto de estar só.





sábado, 7 de fevereiro de 2015

poeta

despe-se o poeta
das palavras talhadas
em blocos de linhas imaginárias.

o cinzel desbrava as sílabas...

é manhã,
brilham ainda luares da noite mágica.
o poema solta o orvalho
e o teu corpo de mulher
deixa em mim o cheiro a terra molhada.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

são densas as manhãs

escoam-se sílabas
dos versos que escrevo
mas ninguém lê...

e eu caminho
nas margens estreitas
das praias do silêncio...

são densas as manhãs



foto de autor desconhecido

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

floresta dos tempos

o teu olhar desliza
no hálito do vento…

um grito
ausente
rasga a carne
do pecado…

um abraço
aconchega-me
nesta amálgama de sentires.

as palavras esculpidas no silêncio
brotam nas nascentes
de líquidos amnióticos…

e eu,
carente de mim,

dispo-me na floresta dos tempos


foto de autor desconhecido

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

quero-te

olho-te nas sombras imprecisas da tarde
o teu odor tem o perfume da papoila
e o teu olhar brilha
na floresta da lonjura
e no silêncio azul do horizonte
o vento traz as sílabas
do poema em branco

e eu quero-te ao entardecer...





foto de Francesca Woodman