sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

cruzo os braços sobre mim
sinto o peito aconchegado,
as mãos tocam o pescoço,
as minhas mãos,
o meu pescoço...

abraço-me,
não gosto de estar só.





domingo, 8 de fevereiro de 2015

melodia


timbre de voz que a mão aperta de encontro ao tempo em que os desencontros aconteciam a horas certas.

corridas desenfreadas até ao mar, onde se saltavam ondas como se mergulhássemos em estilos olímpicos de pranchas ou escarpas silenciosas
com que escuto, ainda hoje
a tua voz de coral




Foto

Hendrik Krönert


sábado, 7 de fevereiro de 2015

poeta

despe-se o poeta
das palavras talhadas
em blocos de linhas imaginárias.

o cinzel desbrava as sílabas...

é manhã,
brilham ainda luares da noite mágica.
o poema solta o orvalho
e o teu corpo de mulher
deixa em mim o cheiro a terra molhada.